E o País e o Benfica continuam em grande e belíssimo paralelo
Tudo na mesma ou quase.
Agora que “terminámos” a tarefa, sem resultado, aliás desde sempre condenada ao fracasso, de tentarmos amansar a fera dos mercados, ela continua a lamber-se do repasto infindável que começou com arroz à grega, passou por uma guiness bem fresquinha e agora só está indecisa se continua ainda com uma pièce de resistance e devora uma paelha ou avança já para os doces e amanda abaixo um pastelinho de nata, antes de terminar o dito com um limoncelo seguido dum sonoro arroto como que a lembrar aos seus parceiros de mesa que, aliviada, ainda sobra espaço para mais qualquer coisa se for necessário.
Mas este fausto tem acompanhantes que se sentam à mesma mesa.
Comparsas que compartilhando mas parecendo não interferir, por vezes e por conveniência, para não parecer mal, fazem um ligeiro reparo snob ao comportamento alarve do seu convidado, mas aproveitando a embalagem do dito, exigem de imediato aos devorados que cada vez mais se ponham a jeito e até se alindem para a infindável cerimónia de desfrute.
Assim, vimos os mercados a entalar um dos seus melhores e mais submissos seguidores, como os alegres rapazes irlandeses, mas também os avoados Adónis gregos que, despreocupados com o que os outros pudessem pensar, acabaram duramente repreendidos pelos seus excessos de libertinagem, enquanto os eurocratas com porta-voz sueco de pronúncia inglesa duvidosa, os aplaude e incentiva.
Ora nós que gostamos de ser bons alunos e não deixar a ninguém má impressão, tendo cumprindo certinho os mandamentos e porque se pensa que tudo se vai resolver porque fizemos do bom e do melhor, decidimos estar em tempo de mudar, remodelando, aproveitando assim a embalagem para sacrificar alguns dos mais distintos idiotas úteis.
Falta só definir o tempo e modo de, aligeirando as responsabilidades, mudar para que tudo fique na mesma.
Três ou quatro ministros menos alinhados ou jeitosos na arte do paleio serão dispensados e continuaremos a fazer o frete aos comensais do mundo e a deixar sem espaço de manobra, porque é o mesmo que fariam se lá estivessem, os pedrinhos fedelhos desta vida.
Assim se vão salvando do necessário correctivo, que diga-se em abono da verdade, os papalvos proletas de novo tipo, vulgo povo, não estão com muita vontade de aplicar, os zézinhos e pedrinhos desta vida.
Tanto estes como aqueles vão tentando passar despercebidos como se nada fosse também com eles, na esperança que amanhã cante uma oportunidade para si próprios, qual alternância sobrevivente.
São as malhas que este inexistente império tece.
Ora, no Glorioso o império, infelizmente, os males são parecidos.
Como a coisa está feia e não se consegue resolver o que não se pode, porque na verdade é consequência do que se quis fazer, tenta-se acalmar o irrequieto mercado, que no caso estará um ebulição lá para o fim do ano e para tentar pôr as coisas nos eixos, ou seja, jogadores a correr e a querer meter o pé e treinador com ambição e rasgo o que nesta altura é difícil tendo em conta o generoso contrato oferecido, deixa-se antever uma remodelação.
Falta saber a quem calha a fava. Se aos amigos treinadores do mais alto timoneiro, eclético desportista que não nega uma ficha de inscrição a clube nenhum, ou se aos novos burgueses do pontapé na bola com domicilio para as bandas do nosso querido Seixal.
Também nessa altura, como aliás já anteriormente e por várias vezes, os idiotas úteis, só que neste caso nem tanto atendendo ao chorudo vencimento auferido, serão sacrificados e tenta-se um novo fôlego, aliás tão velho como a aplicação sistemática desta receita, para salvar quem é o verdadeiro responsável pela coisa que, no caso é o fracasso no ansiado e prometido caminho para as irreversíveis vitórias.
Ora, está-se a ver, que, mais cedo do que tarde, tal como os zézinhos, também os luizinhos remodelarão e, contentando as papoilas saltitantes e os fedelhos pedrinhos, tudo ficará na mesma para que os mercados, financeiros e futebolísticos, se deliciem e lambuzem, mais emissões de dívida sejam lançados a preços de leilão da Christie’s e mais Davides Luizes sejam transferidos para onde já desde o inicio da época se sabia que iam.
Na verdade verdadinha, o descalabro continuará, alguma europa exportadora continuará a enriquecer, o “papa” a ganhar e nós, incautos e gloriosos cidadãos, continuaremos a ver o mesmo de sempre, com os mesmos a fugirem pelos intervalos da chuva das responsabilidades e a tentarem sobreviver fazendo sobreviver os que nos fazem estar cada vez mais entaladinhos e desgostosos com a vida.
1/12/10, O Restaurador Citizen Red.
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