terça-feira, 8 de março de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Coincidências intemporais
Coincidências intemporais.
Por coincidência, os 2 últimos livros que li abordam uma temática comum que, sendo trágica, atendendo no entanto a que estamos no inicio da segunda década do séc. XXI, parece já bastante distante e pouco relevante. Refiro-me às sequelas da época colonial.
Curiosamente, tanto no livro de José Rodrigues dos Santos, “O Anjo Branco”, que li primeiro, como no último livro do premiado com o Nobel, Mario Vargas Llosa, ”O sonho do Celta”, em determinada altura da história, são abordados e retratados acontecimentos violentos na história do colonialismo europeu em África, a saber, em Moçambique, já nos anos setenta do sé. XX, e no Congo na transição do séc. XIX, para o século passado.
No caso do livro de Vargas Llosa, a história inicia-se tendo como pano de fundo o primórdios da efectiva colonização por parte da Bélgica no Congo, por aceitação e autorização das potências europeias e que deu lugar e tinha, aliás, como principal e mal disfarçado interesse, uma desenfreada exploração da árvore-da-borracha, em que as empresas europeias, com a cobertura e apoio policial do estado, exerceram uma inacreditável politica de escravatura, matanças e repressão das populações, com o objectivo de as obrigarem a se submeterem a trabalhos forçados na extracção da borracha, matéria-prima importantíssima para a economia do continente europeu.
As enormes riquezas existentes em África eram então alvo do interesse dos países europeus que começaram a descobrir o enorme filão económico que adviria com a sua exploração e que impunha a submissão dos povos aí existentes, onde a coberto da necessidade de os proteger e lhes proporcionar desenvolvimento, os obrigava, como contrapartida falsa, a trabalhar em regime de escravidão pura.
O livro, narrando a vida de um irlandês pertencente ao Foreign Office que nas suas andanças consulares acaba por tomar contacto com a realidade do Congo governado pelo reino Belga, revela-nos a crueza da relação entre as potências ricas europeias e os povos africanos, unilateral e barbaramente submetidos aos seus interesses e vontades, acabando assim por despertar nele uma militância pelos direitos humanos e de denúncia internacional, particularmente no Reino Unido, que teria como consequência, ainda que indirectamente, a assunção de um forte sentimento nacionalista que nele foi despertando enquanto originário de uma nação, também ela submetida. A Irlanda.
Já no caso da história narrada pelo escritor/jornalista português, trata-se da descrição de um malfadado episódio ocorrido durante o final do período colonial português em plena guerra pela independência de Moçambique e que então se travava. Foi o famoso massacre de Wiriyamu. Famoso devido exclusivamente às persistentes denúncias internacionais de então.
Neste caso, o escritor confronta-nos com uma descrição não menos impressionante e cruel, mas impressionantemente real porque baseada em vários testemunhos, particularmente na de um oficial miliciano português que foi entrevistado pelo próprio autor na pesquisa entretanto realizada para a preparação do livro.
Assim, ainda se torna mais impressionante o relato que, retratando uma situação verdadeira e que aconteceu naqueles precisos termos, revela uma faceta do colonialismo português que se pretendeu persistentemente ocultar, fosse por vergonha colectiva ou propositado branqueamento do que infelizmente se passou.
A verdade é que o massacre de Wiriyamu, revelou uma crueldade atroz dos responsáveis directos e dos mandantes de tal operação militar, que mais não pretendia senão castigar de forma infame e criminosa, como aconteceu, populações que se considerava serem simpatizantes e colaborarem com os guerrilheiros da Frelimo, matando e mutilando a sangue frio homens, mulheres e crianças, durante a operação de limpeza e punição aos habitantes daquele lugar perdido no norte de Moçambique.
Uma verdadeira e reconhecida matança, que serviria para punir, vingar e deixar um aviso àqueles que ousavam desafiar o poder colonial.
Aliás, durante a narração percebemos que a operação das tropas especiais portuguesas foi directamente preparada pelo estado-maior militar, com a comparticipação e até supervisão da PIDE, que no local procedeu aos interrogatórios e incentivou à barbárie.
Quando no fim do livro se descobre, pela informação nele inserta, que a maior parte dos acontecimentos, nomeadamente a descrição do massacre de Wiriyamu, são reais, o que aliás é característica dos livros de J.R.S., ainda mais impressionante e horrível se torna o confronto com essa parte da nossa história colonial mais desprezível.
Mas o “interessante” e simultaneamente historicamente impiedoso, é verificar que, ainda que em momentos temporalmente tão distantes, cerca de setenta anos, a defesa dos interesses do colonialismo, enquanto realidade politica-económica, foram tão bárbara, torpe e universalmente defendidos.
E se no caso do Congo estávamos nos finais do séc. XIX, longe, portanto, do Mundo, mesmo os países ditos civilizados, se encontrar receptivo para a problemática, distante, dos direitos humanos, tão flagrantemente e de forma impensável nos dias de hoje, ignorados e espezinhados, no caso português, tratava-se de tempos do pós guerra, já posteriores à revolução cultural emanada dos finais dos anos 60 e com a Europa em paz, com democracias enraizadas e em que os valores universais mais fundamentais eram em todo o lado apreendidos.
Em ambos os casos tratara-se de episódios bárbaros e violentíssimos, no caso do Congo de forma sistemática e que perdurou no tempo, ao contrário do caso português que foi um episódio de guerra, quiçá e naquela dimensão, isolado, mas em ambos com um objectivo de fazer prevalecer a todo o custo uma realidade de opressão e imposição civilizacional e cujos estados tentaram ocultar e desmentir quando a denúncia, que em ambos os casos ocorreram, ecoou por força e empenhamento de uns tantos inconformados e militantes.
A importância da literatura poder dar a conhecer tais casos, ainda que de forma romanceada, permite simultaneamente usufruir do prazer da leitura do instrumento literário, mas também conhecer a realidade histórica que ele transporta.
No caso destes dois livros e destes dois autores, tão diferentes, mas tão importantes cada um no seu contexto editorial próprio, o que aconteceu foi exactamente isso.
E se a vastidão do universo atingido pela literatura do Vargas Llosa é incomensuravelmente maior e o tema é também mais universal e por isso comporta um maior e mais visível impacto, a importância da questão levantada pelo autor português, apesar de ser mais circunscrito é, também por isso e pela verdade dos factos, relevante e até fundamental para ajudar a uma maior consciência e conhecimento da nossa História mais triste.
Se os lerem não perdem nada.
Citizen red, 01-02-2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Inicio de ano promissor, ou talvez não.
É normal e costume fazer-se um balanço do ano que finda.
Por mim prefiro fazer um apanhado do inicio do ano, até para começar a apalpar terreno e, como seria de esperar, parece que o mesmo está minado, apesar de algumas boas noticias e acontecimentos a relevar.
Apesar de ser muito subjectivo e emocinal, gostei imenso de ver o meu compadre Michael Douglas, renascer duma morte prematuramente anunciada após uma luta que bem se sabe ser, por vezes, difícil e dura. Como ele dizia com muita piada, quando, na apresentação que ele fez dos vencedores dos globos de ouro deste ano, foi efusivamente aplaudido, haveria de haver uma maneira mais fácil para se merecer tamanho reconhecimento.
Também me soube muito bem ver um belíssimo e muito interessante filme - “o concerto” - que trata com muito humor, aliás este filme na verdade é primeiro que tudo uma comédia, a realidade da Rússia actual na sua vertente sociológica e social, mas que termina com um excerto de um concerto, daí o nome, em que é tocada uma peça de Tchaikovsky, lindíssima e que dá uma dimensão ao próprio filme que permite apreende-la para além da comédia e que é muito forte e emocionante. A mim emocionou-me, e bem.
Outra agradável surpresa é o aparecimento de uma figura pública muito curiosa e que transporta uma carga pessoal e afectiva que parece estar a tocar muitos daqueles que já estão fartos dos mesmos de sempre, mesmo que para alguns essa apreciação possa ser injusta, e que é o camarada Coelho.
Depois da heróica e duríssima cruzada na sua Madeira natal, contra o escroque Jardim, o camarada Coelho tem-nos presenteado com humor e imaginação na denúncia de muitas situações pouco claras e no relembrar de muitas outras verdades incómodas. Vai-se tornar, com certeza numa figura nacional.
Finalmente a também boa noticia de que apesar dos estrangulamentos financeiros e as pressões politicas, a wikileaks, resiste e vai publicitar informação sobre o sistema bancário suíço e as suas falcatruas através das off shores, comportamentos que podemos facilmente adivinhar replicados por todo o sistema bancário internacional.
Mas como nem tudo podia ser promissor, fomos confrontados com as espertices saloias da maioria dos candidatos presidenciais.
Gostei particularmente da hipocrisia do comedor de bolo-rei, D.Cavaco, desmarcando-se, que nem o Néne nos seus bons velhos tempos, das suas responsabilidades na merda que tem sido espalhada pelo rectângulo e adjacentes. Ao seu nível só as atitudes extremosas da sua Maria, mais parecendo a Maria de outros tempos, em que “botas” era, não só substantivo, mas também apelido.
Salva-se no meio do Arraial, a coerente “cassetagem” do meu homónimo Francisco e a pueril franqueza do camarada Coelho.
Tudo isto cheira a mofo e a bafio. Mas como nos tempos em que o mofo o bafio eram a normalidade dos lares portugueses, também agora a ignorância e a mansice do povo se revela e, comme d`habitude, vão que nem cordeiros, mas conscientes, para o ritual do sacrifício.
Nada vai mudar, porque na realidade não se quer, nem se pretende mudar e com este caminho minado pelas inevitabilidades anunciadas o ano será tal qual o que previa. O mesmo de sempre.
Mas o que me traz ânimo e me devolve a esperança foi a revelação que apesar das vicissitudes da vida, nem sempre a grande diferença de idades nos casais, assumidos ou dissimulados, provoca estragos ou incidentes cortantes nas relações entre eles. Veja-se o bonito exemplo que nos é trazido pelos embevecidos namorados, Pintinho da Costa e senhorita baiana. Bonito de se ver e revelador dos verdadeiros e cândidos sentimentos. Só ainda não percebi se ela, para além do seu natural amor que se sente e é visível, gosta mais do Papa ou da papinha.
Haja esperança num ano de 2011, tão promissor como o Janeiro dos meus 51 invernos.
Citizen Red, 20/01/2010.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Viva a liberdade de expressão
Neste fim de ano, três artigos de opinião que li na mesma revista e no mesmo número, no caso a Visão de 23 de Dezembro, são particularmente interessantes, por acertivos, claros e esclarecedores sobre as temáticas que abordam.
Refiro-me ao ensaio de Mário Soares com o título “ os vencidos da vida de hoje”, e que aproveitando uma comparação histórica com tempos que antecederam a I República e as posições de algumas figuras da então sociedade portuguesa, estabelece uma analogia com algumas ideias de hoje.
Retórica que sendo, como já disse, interessante e a merecer leitura, apesar de ser algo ligeira e até simplista, na verdade, atinge em cheio o snobismo politico de um certo conservadorismo ideológico que se revela intemporal.
Outro dos artigos é assinado pelo filósofo José Gil e aborda em jeito de balanço a figura internacional por ele eleita, e com o título “o segredo de Assange”, colocando bem a questão da importância e relação de poder subjacente ao trabalho da wikileaks.
E assim ajuda a perceber o porquê da campanha imensa e intensa para a desacreditar e enfraquecer, através de ataques, hoje claramente entendíveis, ao seu líder e principal figura.
E finalmente uma inteligente, engraçadíssima, mas muito esclarecedora, entrevista fictícia, realizada pela visão, através da pena de Ricardo Araújo Pereira, que revela essa entidade mítica, mas arrasadora que são os famigerados mercados.
Com fineza e subtileza, a escrita brilhante deste jovem, mas já reconhecido e consagrado autor, humorista, escritor e benfiquista, põe a nu e dá a conhecer os meandros, as técnicas e os métodos de trabalho dos mercados financeiros e dos especuladores encartados.
Lindo, brilhante e em versão acessível e compatível com todos.
Lê-se estes artigos e fica claro, se tal ainda era necessário, que andam a tentar vender-nos uma receita em que manipulam as nossas vidas, tentam silenciar quem os denuncia e promovem a nossa descrença, para que mais facilmente se apoderem das nossas vidas e nos imponham o seu modo.
Resistam se quiserem.
Citizen Red,
01/01/2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
Cinema verdade
Fui ontem finalmente ao cinema e vi o filme que referi esta semana,” jogo limpo”
Excelente interpretação de Sean Penn, num filme que não sendo uma realização marcante e usando aquela técnica muito em voga hoje em dia, principalmente em filmes com acção e enredo complexo, de que não gosto, de filmar em grandes planos muito rápido e com a câmara propositadamente móvel, repõe factos históricos por vezes escondidos ou mitigados.
Este, tal como “Wall Street”, com Michael Douglas, também em excelente interpretação, relembram factos importantíssimos da história recente norte americana sob o incrível consulado do mais bêbado dos Bush.
Permitem, assim, não esquecer os acontecimentos marcantes que originaram a farsa que levou à guerra do Iraque, com todas as trágicas consequências conhecidas e posteriormente ao descalabro económico e financeiro, em resultado da completa ausência propositada de regulação do mercado financeiro nos EUA e que tiveram como causa inicial, diga-se em abono da verdade, o incentivo descontrolado ao investimento imobiliário por parte da administração Clinton e consequente bolha especulativa.
Mas o que este filme, “jogo limpo”, relembra e retrata é a completa ausência de escrúpulos da administração Bush superiormente dirigida pelo vice-presidente e seus homens de mão, representantes, maiores, da mais radical direita americana, que mentiu descaradamente e forjou essa mentira, para melhor poder executar a decisão de há muito definida de invadir o Iraque e impor os seus interesses na área energética, particularmente no petróleo.
Para isso foram cometidos crimes federais por parte de elementos da administração americana que chegaram a ser julgados e provados mas que Bush acabou por tirar efeito prático ao ter reduzido a pena aplicada ao principal condenado.
Crimes decorrentes da voluntária e propositada revelação da identidade de um membro dos serviços secretos, no caso a CIA, que havia recolhido informações de que o Iraque não tinha activo programa nuclear nenhum, nem tinha, aliás e comprovadamente, condições para o desenvolver.
Enfim, é um filme muito interessante para compreender a história e conhecer factos que apesar de muitos nessa altura terem desmascarado, foram praticados e causaram danos humanos e materiais incalculáveis ao povo iraquiano e ao mundo inteiro.
Uma vez mais a brutalidade e arrogância de certos sectores dos Estados-Unidos, que têm imposto ao mundo, com a colaboração de certos amigos fiéis como o camarada Barroso, consequências desastrosas.
Citizen red
12/12/2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Amigos e companheiros de luta, espero que me desculpem esta inconstância no grafismo do blog, mas entusiasmei-me com a coisa quando descobri que o poderia formatar.
Tudo isto é um início e estou a tentar acertar a imagem para que não vos seja tão penoso ler os meus dislates.
Presunção minha a de que alguns de vós o façam. Ainda. Dupla presunção, aliás, a de que alguns já o fizeram e de que o continuarão a fazer. Bons amigos serão.
Um abraço e, para os complacentes, até breve.
Citizen red
09/12/2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
QUE VIVA ZAPATA, QUE VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MUNDO GLOBAL
Hoje não vou debitar sobre o glorioso.
Temas mais interessantes e prementes se descortinam nas actualidades de fim de ano.
Na verdade, a problemática benfiquista resume-se a se estar hoje como se estava no ano passado. Ou quase.
No segundo lugar, atrás dum clube dirigido por um andrade, no caso do ano passado era dirigente um afilhado de sua santidade o Papa, na fase final da Liga Europa e, comme d´habitude, com os rapazes de preto a controlarem eficaz e fraudulentamente as peripécias no rectângulo verde.
Enfim, haja esperança que um milagre aconteça e o glorioso volte a engrenar, ao mesmo tempo que o Villão Boas deixe de ter “ajudas de custo” sumptuosas, que os tempos de crise não estão para isso.
Mas voltemos ao que nos trás por cá.
Parece que o governo informal do mundo não gosta da Wikileaks, e, qual grupo de pedreiros livres de avental ao peito, decidiu em conciliábulo organizar uma trama de ” intelligentia” e acertar contas com os incómodos sitistas não governamentais.
Vai daí, e com a ajudinha útil, propositada ou não, de duas antigas colaboracionistas do dito site, arranjou maneira de entalar o rapaz Assanje, anjo malvado do hemisfério sul com pinta de amigo dos cangurus e iniciou uma caça ao homem transnacional, por motivos, aliás, próprios dos próprios homens.
Segundo os jornais contam, tais pequenas, amigas e colaboradoras do anjo malvado e do seu site, terão partilhado os mesmos lençóis, desconfia-se que amarrotados em virtude das brincadeiras e, durante tais fogosas actividades, este terá praticado o supremo acto desprovido de indumentária planetária, in casu, de Vénus, para além de que, no que toca ao outro anjo celestial presente na celebração dos corpos, ter-se-á aproveitado do descanso profundo de tal figura e zás, deu-lhe um toque, presume-se que por trás, consumando, como soi dizer-se nas melhores práticas forenses escritas, os seus desejos libidinosos.
Ora, sabe-se que os Homens, quando estão perto de corpos irradiadores de calor, sentem-se irresistivelmente atraídos pela execução das melhores práticas libertinas, que, quando têm como alvo corpos descobertos ou em exposição provocadora, como acontece com aquelas, mais que prováveis, lânguidas e enroladas formas fêmeas envoltas em cabelos louros e desgrenhados, levam ao desespero.
Ora, tal cenário de cumplicidade e aceitação comum em praticar todo o tipo de desvarios hedonistas, leva-nos a crer estarmos perante uma tentativa, eivada até de pudor incompreensível e aproveitamento sexista, para silenciar através do descrédito pessoal da sua imagem humana, uma importante fonte de informação independente e global que, fazendo apelo à divulgação dos mal guardados segredos ianques, confronta o mundo e os cidadãos com as práticas desconhecidas de quem nos pretende governar.
Que o ex promissor Obama, em quem o mundo e eu próprio depositamos esperanças demasiadas, se deixe levar pela máquina trituradora da administração estado unidense, ainda se percebe e não surpreende, mas que os rapazes do velho continente, quais cães de guarda adestrados, se comprometam e colaborem na farsa que pretende antidemocraticamente silenciar cidadãos do mundo, que, fazendo uso dos seus elementares direitos de livre expressão e associação, prestam um serviço global, é inadmissível, choca e revela o quanto estamos, ainda que indirectamente, espartilhados na nossa liberdade.
Entretanto continuaremos a assistir às estafadas arguições de que estamos perante actos irresponsáveis e atentatórios da segurança colectiva, praticados pelos malvados sitistas.
Cínica verborreia e vergonhoso paleio.
Esquecendo porventura o que fez a administração Bush a uma sua espia, ainda há não muitos anos e que está retratado num filme em exibição e que ainda não vi, mas que não perderei, chamado ”Jogo limpo” e que conta a história dessa desgraçada atitude dos americanos para com um dos seus, no caso uma das suas, deixando-a cair e pondo em risco a sua vida, só porque o marido dessa agente de CIA não engoliu as teorias falsas e vergonhosas sobre o Iraque e que propositadamente conduziram a uma guerra que mais não tinha, que o objectivo de alimentar a industria petrolífera e militar norte americana, cujo maior e mais empenhado defensor na Casa Branca, era a própria família Bush.
Agora, com as pequenas suecas, ou lá que nacionalidade têm, como então com a espia norte americana, as idiotas úteis, são sempre peça fundamental das estratégias de quem tendo o poder, não pretende, nem vai nunca permitir, que sejam postas a nu as suas “verdades absolutas”.
Também, certamente, agora como há una anos, os peões desta estratégia serão triturados e, tal como aconteceu, mais dia, menos dia, as raparigas ofendidas com o fogoso desempenho do anjo malvado serão elas próprias lançadas sozinhas no turbilhão do enredo criado, com a sua vida desprezada e as suas eventuais razões, que só por cautela de "patrocínio" se admitem, esquecidas ou vilipendiadas.
Peço desculpa, mas afinal parece que tenho que falar um pedacinho do Glorioso. É que também no reino da águia, mais certo que eu me chamar c-r, alguns idiotas úteis serão descartados e enquanto o Papa se ri, qual pápá americano, o amigo Luís, qual filhote europeu submisso, promoverá outra farsa mal disfarçada que permita iludir as suas enormes e evidentes responsabilidades.
Perdão por esta recaída, mas, percebe-se, o glorioso ainda é mais forte do que tudo.
Prossigamos então.
Louve-se no entanto alguns internautas que, em acção de solidariedade espontânea, utilizam os seus sites como espelhos do Wikileaks, e em Portugal já há vários, e assim difundem o que a mão poderosa e invisível dos senhores dos anéis tenta amordaçar, pressionando o fecho das contas do site nas instituições financeiras que operam através da net e que vinham permitindo que este se pudesse financiar através dos donativos dos seus, muitos, amigos.
Haja esperança que a vontade despudorada dos intocáveis não seja satisfeita e que, apesar do mais que provável silenciamento do rapaz Assange, detido e com ameaça de extradição para os EUA, via Suécia, não consigam calar uma voz tão incómoda como, neste momento, indispensável
Qual Zapata dos tempos modernos, aqueles que apesar de nunca terem sido frontal e desde o princípio contra o status quo que vigora, mas que entretanto se rebelaram, serão amansados e se tal não for possível serão eliminados para que, com eles, a sua ousadia e seguidores acabem, também, por perecer.
07/12/2010, Citizen Red
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